ATO NO CARIRI CEARENSE MOBILIZA MILHARES DE PESSOAS EM DEFESA DA APOSENTADORIA

Educação e moradia também foram pautas dos movimentos populares na região

Em Juazeiro do Norte, o ato contou com mais de 10 mil pessoas e reuniu representantes de diversas entidades sindicais além de trabalhadoras e trabalhadores que, aderindo à greve, deixaram seus postos de trabalho para ir às ruas. A manifestação também foi em defesa da educação e da moradia, dado o contexto da cidade de Juazeiro do Norte.

Os caminhos até a greve geral no Cariri

A diversidade política da região se unificou através da Frente pela Democracia Cariri, que é a principal entidade responsável pela organização dos atos no interior do Ceará. Desde o 15M, a frente mobiliza as representações de base para a articulação política e a preparação contínua, com reuniões periódicas e decisões colegiadas entre as suas entidades integrantes.

“Essa frente tem organizado os mais diversos atos que nós temos feito em resistência ao governo Bolsonaro, em defesa da educação, da previdência e da moradia” explica Amadeu de Freitas, vereador do município de Crato pelo Partido dos Trabalhadores (PT). As pautas de luta são atribuídas de acordo com as demandas nacionais e locais das organizações populares que integram a frente.

Defesa da aposentadoria

Como uma das principais causas de luta da Greve Geral nacional, a defesa da aposentadoria também foi uma das bases de ação dos manifestantes do Cariri. “A luta se fortalece aqui em contraposição a reforma da previdência e às políticas mais amplas desse governo que tem como única perspectiva tirar direitos dos trabalhadores” afirma o Prof. Edson Xavier, integrante do Sindicato dos Servidores Municipais de Juazeiro do Norte (SISEMJUN). Os esforços da base governista para aprovar o texto original da reforma encontram resistência nos movimentos de base que ocorreram em todo o país. “É uma demonstração de que os trabalhadores e as trabalhadoras não aceitam esta reforma. Ela não serve para nós” completa o vereador Amadeu.

Mulheres contra a reforma da Previdência

Ponta de lança na luta em defesa dos direitos trabalhistas no Cariri, as mulheres da região somam esforços em número e ações que garantem a representação nos atos, levando as causas específicas das mulheres para as ruas. “As mulheres no Brasil e aqui no Cariri conseguiram sair as ruas de forma organizada, para dar o recado que não aceitam esse desgoverno” falou Verônica Isidoro da Frente das Mulheres do Cariri. Com acúmulo de funções e tripla jornada de trabalho, as mulheres são diretamente prejudicadas pela proposta da reforma da previdência do governo Bolsonaro que prevê a equiparação do tempo de contribuição e idade mínima entre homens e mulheres sob justificativa de que essa paridade é igualitária.

Com esta medida, o texto da reforma desconsidera que a situação trabalhista das mulheres no mercado de trabalho é injusta. Dados do IBGE apontam que, apesar de terem formação acadêmica superior (24,3% das 40,2 milhões de trabalhadoras contra 14,6% dos homens), estas ganham em média 24,4% a menos. “Nós que fazemos parte do movimento de mulheres sabemos que esta reforma não nos representa. Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer” ressaltou a Profa. Zuleide Queiroz ativista da Frente de Mulheres do Cariri e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

O direito à moradia popular

A demanda por moradia atinge as parcelas menos favorecidas da sociedade, com desempregados e trabalhadores que ganham menos do que um salário mínimo sendo os mais afetados pela falta de habitação própria. “No Ceará, segundo relatório da Demanda Habitacional do Brasil, em Juazeiro e Crato existem mais de mais de doze mil famílias sem moradia popular” afirma Cleiton Neto, militante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD).

Na região do Cariri, a militância organizada pelo MTD em defesa da moradia foi as ruas para garantir que os governantes municipais das cidades de Juazeiro e Crato estejam atentos para as demandas das famílias que lutam pelo direito à habitação. “Estamos tentando realizar um sonho que não é só nosso, mas de muita gente que precisa de moradia digna, saúde, educação e aposentadoria que é básico que todo mundo necessita para viver”, destacou Poliana Araújo dos Santos, integrante da coordenação do MTD no Cariri.

Em defesa da Educação

A luta em defesa da educação, contra o bloqueio de orçamento realizado pelo MEC, continuou sendo uma pauta ativa nas manifestações grevistas ao redor do país. Pelo Cariri, estudantes de diversos seguimentos do Movimento Estudantil estiveram nas ruas denunciando os desmandos deferidos pelo atual governo. Anderson Félix, membro do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Regional do Cariri (URCA) e militante do Levante Popular da Juventude, afirmou que os estudantes continuarão em luta, organizando as bases com reuniões e assembleias para seguir em frente na defesa da educação. “Precisamos organizar nas bases aqui no Cariri com os(as) estudantes a resistência necessária para defender a educação brasileira” concluiu Anderson.

A luta continua

Ao final do ato, as organizações participaram de plenária aberta em frente a Praça Pe. Cícero, local onde culminou o fim da caminhada iniciada com a concentração em frente a CREDE 19 em Juazeiro do Norte. Com o microfone aberto do trio elétrico que serviu como palanque popular, representações ali presentes demonstraram apoio à continuidade do movimentos, mostrando que aquele momento era apenas mais um começo de muitas lutas que ainda estão por vir.

 

Via Brasil de Fato (https://www.brasildefato.com.br)

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