Estudantes de Engenharia de Produção da URCA debatem o Future-se em aula pública

Professora Zuleide Queiroz ministrou o momento com a participação de diversas representações estudantis.

Na manhã desta quarta-feira, 21/08, a Professora Zuleide Queiroz do ANDES-SN, a convite de estudantes do curso de Engenharia de Produção da URCA e de outros coletivos do movimento estudantil, debateu no campus Crajubar em Juazeiro do Norte o programa “Future-se” do ministério da educação do Governo Bolsonaro. O Programa foi apresentado nacionalmente em julho, e prevê a participação de Organizações Sociais por meios de “ações de governança, gestão, empreendedorismo, pesquisa, inovação e internacionalização do ensino superior.” Com uma apresentação confusa e sem detalhes sobre o funcionamento do programa, o projeto encontra resistência em diversas instituições de ensino público pelo país.

“Hoje, de acordo com a Constituição Federal e com a LDB, a universidade é constituída de diversas áreas de conhecimento e o projeto dialoga mais com uma área de conhecimento ligada ao setor produtivo” explica Zuleide se referindo ao caráter mercadológico que o Future-se traz em sua apresentação.

A divisão estratégica do programa se divide em três eixos: Governança, gestão e empreendedorismo; Pesquisa e inovação e internacionalização. Além disso o texto base do projeto reafirma que as organizações sociais participantes do projeto terão como papel fundamental “realizar o processo de gestão de recursos relativos a investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.”

Em sua aula, Zuleide alertou que, apesar do nome, o projeto não tem nada de futurístico, pois ele pretende transformar todas as atividades de ensino, pesquisa, e extensão que são as funções essenciais das universidades em mera mercadoria, abalando com isso a autonomia que as instituições de ensino públicas devem ter para garantir o ensino de qualidade.

“Devemos lembrar que já existe um projeto de universidade pública construído por movimentos sociais, estudantes e docentes” falou Zuleide em referência aos estudos do ANDES-SN sobre a universidade pública condensados em um caderno de textos republicado em 2013. Em sua apresentação, o documento  estabelece um modelo de universidade “que interaja com toda a sociedade e uma educação que forme os sujeitos históricos para uma transformação radical, que liberte as potencialidades de construção de um espaço social pertencente a homens e mulheres de todas as origens, comprometidos tão somente com o produzir e o partilhar da arte e da cultura, da ciência e da técnica e de todos os saberes erigidos nos limites de sua finitude, mas de alcance universal”. (Página 10).

Zuleide completa dizendo que o movimento estudantil das universidades públicas precisa se juntar com professores e técnico-administrativos para construir formas de luta para enfrentar esse projeto e defender o caráter público das universidades sob ameaça do ministro Abraham Weintraub e de Bolsonaro.

Confira o caderno de estudos com a proposta do ANDES-SN para a universidade brasileira clicando AQUI

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