ESTUDANTES E PROFESSORES DO CARIRI PARTICIPAM DE AUDIÊNCIA PÚBLICA EM DEFESA DOS CURSOS DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA.

Realizada na Assembleia Legislativa em Fortaleza, a audiência contou com forte mobilização do Cariri.

 

Cerca de cinquenta pessoas entre estudantes e docentes dos cursos de Ciências Sociais e Filosofia do Cariri estiveram presentes em audiência pública realizada no dia 25 na Assembleia Legislativa do Ceará em Fortaleza, que debateu sobre os rumos dos cursos e planejou estratégias de resistência frente aos ataques do governo Bolsonaro para as disciplinas. A comitiva participou ainda de atos em defesa do financiamento para pesquisa em ciências humanas e contra o bloqueio de verbas para a educação.

 

Ciências Humanas sob ataque

Em abril, o presidente Jair Bolsonaro, via twitter, fez eco as declarações do ministro da educação, Abraham Weintraub, sobre a “descentralização do investimento em faculdades de filosofia e sociologia”, com alegação de que tais cursos não seriam de interesse para a população por não gerarem lucro imediato. “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta” disse Bolsonaro no twitter.

Em resposta as afirmações, a Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF) divulgou uma nota assinada por diversas entidades acadêmicas de cursos ligados à área de humanas e centrais sindicais. “O ministro e o presidente ignoram a natureza dos conhecimentos da área de humanidades e exibem uma visão tacanha de formação ao supor que enfermeiros, médicos veterinários, engenheiros e médicos não tenham de aprender sobre seu próprio contexto social nem sobre ética, por exemplo, para tomar decisões adequadas e moralmente justificadas em seu campo de atuação. ” destaca a nota.

A audiência pública

Convocada pelo presidente da comissão de educação da casa, deputado Queiroz Filho (PDT), o momento teve como tema “A permanência das disciplinas de Filosofia e Sociologia nas grades curriculares da Educação Básica e do Ensino Superior”, contando com a colaboração e participação de membros da ANPOF, professores e estudantes de diversas instituições de ensino. A preocupação com o futuro do campo de estudo de Ciências Humanas, mais especificamente dos cursos de Ciências Sociais e Filosofia, e os cortes na educação motivaram a realização da audiência. O Complexo de Comissões Técnicas da Assembleia Legislativa do Ceará abrigou vários participantes que durante o momento, tiveram direito a fala. “Ele (o governo) mexe com os desejos das pessoas, principalmente das cidades pequenas de fazer parte deste espaço de formação e de qualificação profissional” disse o Professor Adriano Carreia, Presidente da ANPOF. Em representação dos (as) estudantes de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA), a estudante Maria Raiane, em sua fala, ressaltou a importância da representatividade negra dentro dos espaços institucionais, sobretudo na formação acadêmica. “A academia epistemicida. Ela mata nosso conhecimento, como se nós não produzíssemos ciência” relatou Raiane. Ainda em sua fala, a estudante falou sobre a produção acadêmica de seu curso que, mesmo sem a estrutura apropriada para seu devido funcionamento, conseguiu nota 4 no ENADE. “Nosso curso tem um histórico de lutas que vai continuar” ressalvou.

 

Ato na Funcap

Antes de seguirem para a Audiência, a comitiva do Cariri organizou um ato político na sede da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) em resposta ao corte de mais de 700 bolsas de apoio acadêmico a iniciação científica em todo o estado do Ceará, todas da FUNCAP, sob justificativa de priorizar as bolsas sociais. “O que eles não entendem é que as bolsas de iniciação científica também se tornam sociais a partir do momento em que se enxerga quem está produzindo estas pesquisas. Cientificamente, não são estudantes de classe média-alta que produzem conhecimento” falou Kaio Cardoso, estudante de Ciências Sociais da URCA. De acordo com estudo feito pela empresa norte-americana Clarivate Analytics a pedido da CAPES, 95% da produção científica brasileira é feita pelas Universidades Públicas. Os(as) manifestantes também reivindicaram o aumento do investimento da FUNCAP em produções acadêmicas nas universidades estatuais cearenses, para combater os cortes de orçamento na educação. “Existe uma política de corte ou de suspensão de bolsas do governo do estado do Ceará, que afeta tanto as instituições estaduais quanto as federais. Apensar desta postura não poder ser comparada à do governo federal, ela deve ser combatida também” comentou o André Alcman, Professor de Ciências Sociais da URCA.

Encaminhamentos

Após intensos debates e deliberações coletivas, a audiência conseguiu encaminhas uma série de ações que serão tomadas para a defesa do ensino público e da permanência dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais nas grades curriculares do ensino básico e superior. Entre os encaminhamentos, ficou decidido que a FUNCAP continuará a ser pressionada pelo retorno das bolsas de Iniciação Científica. Também ficou como pauta a definição das disciplinas de Filosofia e Sociologia, no ensino médio do Estado do Ceará, para todos os itinerários do currículo. Uma nova audiência ficou marcada para o dia 09/07 às 14:00h na Assembleia Legislativa do Ceará.

Produção:

Rodolfo Santana (Assessoria de Comunicação do SINDURCA)

Eduarda Cavalcanti (Estudante de Jornalismo da UFCA)

 

 

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