Readequação das atividades acadêmicas durante a pandemia: Nota do Colegiado do Curso de Ciência Sociais da FACEDI (UECE)

O SINDURCA reproduz a nota do Curso de Ciências Sociais da FACEDI – UECE sobre a readequação das atividades acadêmicas durante o período da pandemia. Confira:

NOTA DO COLEGIADO DO CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA FACEDI

O colegiado do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Faculdade de Educação de Itapipoca apresenta esse documento para o debate com a comunidade universitária da UECE sobre a readequação das atividades acadêmicas durante a pandemia.

O mundo enfrenta a maior crise sanitária desde o início do século passado. A pandemia da Covid-19 já matou centenas de milhares de pessoas, apenas no Brasil ceifou mais de 50 mil vidas, e com projeções aterradoras de aumento dessa terrível estatística nos próximos meses.

O distanciamento social rígido e a paralisação da maior parte das atividades econômicas (lockdown) são os únicos meios disponíveis para controlar o avanço do vírus. Tal situação têm, lamentavelmente, acentuado ainda mais as desigualdades estruturantes da sociedade brasileira, sobretudo pela exígua assistência federal às famílias mais vulneráveis economicamente. A despeito do aumento dos casos de contaminação e mortes, a pressão econômica fez com que os governos relaxassem as medidas de isolamento nas últimas semanas, e as consequências disso só poderemos avaliar nas próximas semanas.

Em razão das corretas medidas adotadas pelo estado do Ceará com o objetivo de restringir atividades para conter a pandemia, os números de internações na capital Fortaleza vem reduzindo. Os dados atestam, contudo, que o contágio e os óbitos estão crescendo em outros municípios, a exemplo de Itapipoca, demonstrando que ainda não foi atingido o estágio de estabilização da pandemia no estado. Dada a baixíssima testagem realizada no Brasil em comparação com outros países, os dados científicos necessários ao diagnóstico da situação – e que poderiam amparar a reabertura das atividades com maior segurança – são insuficientes. Diante disso, ainda não existe um quadro favorável para o retorno seguro de um conjunto de atividades presenciais, com destaque às aulas e estágios nas instituições educacionais.

Desde o início do isolamento, a Universidade Estadual do Ceará suspendeu suas atividades presenciais e tem realizado trabalho remoto. Além das tarefas de gestão da Universidade, professoras e professores continuaram a realizar atividades de pesquisa, extensão e mesmo de ensino, dada a excepcionalidade da situação. As orientações de trabalhos de conclusão na graduação e na pós-graduação, bem como das práticas de bolsistas continuaram também a ocorrer. Entretanto, a pretensa substituição das atividades de ensino-aprendizagem presenciais por atividades remotas no próximo semestre, ainda que compreendido o contexto excepcional que vivemos, é encarada com bastante preocupação, visto as deficiências pedagógicas que marcam a modalidade de ensino a distância, além da carência de acesso às tecnologias por boa parte do corpo discente da Universidade. Em suma, o retorno das atividades acadêmicas nessas condições excluiria da vida universitária uma significativa parcela de estudantes.

Perante tal quadro, resumimos abaixo pontos fundamentais para o debate sobre o retorno das atividades acadêmicas – presenciais ou remotas:

1) O retorno às atividades presenciais só poderá ocorrer quando existirem condições seguras de controle da pandemia, seguindo os protocolos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde: redução incontestável da taxa de contágio; testagem em massa de estudantes, professores e funcionários técnico-administrativos; baixo índice de internações em UTI’s; vacinas e medicações disponíveis, cuja eficácia sejam cientificamente comprovadas. Todos os campi da UECE precisam estar dotados de estrutura básica de higienização: banheiros com lavatórios, pleno fornecimento de água e distribuição de máscaras e de álcool em gel. Além disso, devem ser realizadas as reformas que se mostrarem necessárias para uma maior segurança da comunidade universitária; e reforçado o quadro de funcionários responsáveis pela higienização e limpeza das Faculdades. Nesse sentido, vale destacar a urgente conclusão das obras de reforma e ampliação da Facedi, que já causavam prejuízos para as atividades acadêmicas antes do início da pandemia.

2) Dar continuidade às atividades remotas apenas de pesquisa, de extensão e de orientação de trabalhos finais – e que sejam devidamente contabilizadas nos PAD’s dos professores e nos currículos dos alunos. Ademais, deve continuar valendo a orientação estabelecida para a finalização das disciplinas do semestre 2019.2 que, no início do isolamento social, estavam com 75% das aulas ministradas.

3) Defendemos que o semestre letivo 2020.1 seja iniciado somente quando houver condições de realização de aulas presenciais. E as atividades de ensino remoto só poderão ser consideradas quando existir um mapeamento da inclusão digital do corpo discente, e com o governo do Ceará disponibilizando para todos os estudantes de baixa renda meios tecnológicos (computadores, tablets) e acesso à internet.

Consideramos que o exposto acima são pontos essenciais para o debate sobre a readequação das atividades acadêmicas no contexto da pandemia, resguardando a missão e função social da Universidade pública. É a vida que está acima de tudo!

Itapipoca, 22 de junho de 2020

Colegiado do Curso de Ciências Sociais da FACEDI/UECE

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