Nota do SINDURCA: Expansão da URCA e o Curso de Medicina: que universidade queremos?

Esta semana soubemos pelos veículos de comunicação local sobre a possibilidade de criação do curso de Medicina na URCA, com o possível funcionamento a partir do segundo semestre de 2021. Esta informação foi confirmada pelo próprio Reitor da instituição, o professor Lima Júnior.

Já era público também a reunião do reitor com o governador Camilo Santana, contando com a presença do prefeito do Crato, José Ailton Brasil no último dia 14. O projeto de criação do curso de Medicina na cidade não é novo e já teve idas e vindas.

Gostaríamos de saudar a possibilidade da criação do curso de Medicina na URCA que, sem dúvida, ampliará a referência da institução no Estado e nas regiões próximas, inclusive fora do Ceará. Ao mesmo tempo, gostaríamos de destacar alguns possíveis problemas já existentes.

O SINDURCA, em mais de duas décadas de luta, acompanha a precariedade com que a URCA e as demais universidade estaduais sofrem pelos governos do Ceará ao longo dos anos. O governo Camilo Santana não foi diferente. De lá pra cá, cursos foram sendo criados, mas em estruturas precárias: o Centro de Artes em um antigo prédio condenado de Juazeiro do Norte é só um dos exemplos.

Há outros cursos que também sofrem pela precariedade da estrutura, a exemplo da educação fisica, química com ausência de espaços para prática e aulas didáticas, obrigando-os a ocuparem sempre espaços já destinados a outros cursos. Ou mesmo o centro de artes ainda carente da reforma estrutural necessária ao curso. Os exemplos não são poucos, a comunidade acadêmica sabe e vive essa dificuldade na URCA.

Além do sucateamento da esturuta física, segue a política de desvalorização da docência, com perdas salariais acumuladas que já chegam a 25% no salário dos professores, além da ausência de concursos públicos para suprir as vagas na área docente e técnica, tão necessários para a sobrevivência da instituição. Desvalorização e pouca oferta de bolsas de pesquisa e de permanência para estudantes também fazem parte do cenário.

Nós, do SINDURCA, saudamos a possibilidade do curso de Medicina e de outros cursos na instituição, tão importante para o desenvolvimento técnico da região. Mas, vemos com preocupação necessária a vinda do curso na URCA que sequer sanou, nesses anos todos, os velhos problemas de estrutura, com financiamentos cada vez mais precários. É preciso mudar esse cenário e colocar a luta pelo financiamento da educação como uma das prioridades.

SINDURCA, 20 de agosto de 2020.

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