SINDURCA | Repúdio ao assassinato de George Floyd em Minneapolis nos EUA

No último 25/05 o mundo ficou estarrecido com as imagens de um vídeo onde George Floyd, homem negro (46 anos), foi covardemente estrangulado até a morte por um policial branco, diante da suspeita de ter utilizado uma nota falsa de 20 dólares em loja de conveniência, em Minneapolis, Minnesota, nos Estados Unidos. O vídeo, que vem circulando pelas redes sociais e na grande imprensa, tem causado uma profunda indignação e revolta na população negra norte-americana e no mundo. Nas imagens é possível assistir um assassinato a sangue frio, em uma ação truculenta e desmedida de policiais brancos na abordagem e imobilização do homem negro. Inegavelmente constituem cenas de um crime, além de gravíssima violação dos Direitos Humanos.

O policial branco Derek Chauvin (44 anos) se manteve com o joelho sobre o pescoço de Floyd por cerca de 10 minutos, que agonizava: “Não consigo respirar”. Detalhe: Floyd não portava armas, estava rendido, algemado, totalmente imobilizado e deitado no chão, não oferecendo qualquer risco ao policial e as demais pessoas ao redor. A atitude desmedida e vil de Derek, que ignorou explicitamente os apelos tanto de Floyd como de testemunhas, somente cessou alguns minutos após a vítima ter perdido os sentidos.

A cidade americana de Minneapolis tem uma longa história de segregação e conflitos raciais, e é considerada uma das piores áreas para os negros morarem. Consequência imediata da desigualdade social e dos altos índices de pobreza e desemprego. A explosão social é sempre muito provável neste cenário que combina racismo, preconceito, fome e miséria na luta por sobrevivência e condições de vida do povo pobre, negro e imigrantes.

Esse crime absurdo acendeu a chama da revolta e do protesto. Há mais de 6 dias, a partir de Minneapolis, dezenas de cidades nos EUA queimam no fogo das manifestações que se espalham pelo país. A rebelião em Minneapolis, seguida de protestos e manifestações em Denver, Nova York, Los Angeles, Oakland e outras partes do país, eclodiu após George Floyd, um negro desarmado, ter sido assassinado pela polícia de Minneapolis. Este assassinato foi antecedido pelo assassinato da técnica em enfermagem de emergência Breonna Taylor em sua própria casa em Louisville, Kentucky, em março, e pelo assassinato de Ahmaud Arbery, de 25 anos, morto em fevereiro a tiros por um ex-detetive da polícia e seu filho, enquanto fazia exercícios na Geórgia.

A morte de George Floyd reacende as feridas do passado histórico de violência e opressão da supremacia burguesa branca que detém o poder político e econômico dos EUA. A sociedade racista, estruturada e alimentada pelo sistema capitalista, não é inerente apenas aos Estados Unidos, mas ao mundo todo. O povo negro sai às ruas para dar uma basta a esta política de assassinatos, liberando um grito preso na garganta, #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam!) e Justiça por George Floyd! Gritos ecoados pelos milhares de pessoas que saíram às ruas de Minneapolis para protestar contra mais uma brutal morte pelas mãos da polícia branca e pelo estado racista.

Os trabalhadores e a classe operária americana estão juntos nessa luta, dando todo o apoio. Isso é muito importante para a vitória da mobilização. Saudamos a iniciativa dos motoristas de ônibus que se recusam a trabalhar para a repressão da polícia. É necessário que todas as entidades sindicais e dos movimentos sociais sigam o exemplo do ATU, Sindicato dos Motoristas de Ônibus dos EUA, cuja declaração destaca que “os motoristas de ônibus de Minneapolis – nossos membros – têm o direito de recusar o dever perigoso de transportar a polícia para protestos e manifestantes presos longe dessas comunidades, onde muitos desses motoristas vivem. Este é um mau uso do transporte público”.

Nos EUA, com a política capitalista de supremacia branca do governo de ultra direita de Trump, da mesma forma que no Brasil com a política racista e genocida de Bolsonaro, os negros e negras se veem encurralados pela letalidade do vírus e pela sempre presente letalidade da polícia dos burgueses brancos. A brutalidade dessa morte ressalta a vulnerabilidade e o desprezo pelas vidas negras, são os negros e negras os mais expostos ao vírus em razão das piores condições de assistência médica, das piores condições de trabalho, das piores condições de vida em suma, a que estão expostos nos EUA e no Brasil. Desde março se acompanha a evolução da pandemia, e se percebe a cada dia que os negros e negras e o povo pobre aparecem como as grandes vítimas.

Os EUA, Brasil e demais nações, em meio a Pandemia do Coronavírus e imersos em uma crise econômica e social sem precedentes na história da humanidade, em vez de preocupar em salvar vidas garantido a todos os trabalhadores solidariedade e condições financeiras para permanecerem em isolamento, preferem defender o lucro aprofundando a opressão e a exploração sobre os trabalhadores em uma escalada de crescimento absurda da violência e do genocídio contra negros e negras no mundo todo. Precisamos exigir o fim da epidemia de violência policial e nos opor à mobilização da guarda nacional e a outros métodos de violência pelo Estado que possam ser empregados para reprimir as manifestações. Hoje já são quase 2 mil presos políticos, como resultado do enfrentamento das mobilizações com a repressão da Guarda Nacional.

O Sindicato das e dos Docentes da Universidade Regional do Cariri – SINDURCA repudia veementemente o assassinato de George Floyd e exige punição exemplar para Derek Chauvin e de seus comparsas, cúmplices desse brutal assassinato. Também se solidariza com a luta do povo pobre e com os negros e negras americanos que se levantam em protestos por todos os Estados Unidos. E se coloca incansavelmente na luta por outra sociedade, sem exploração e opressão onde negros e negras de nossa classe possam construir em igualdade de condições, melhores condições de vida onde ela realmente importa!

• Capitalismo e racismo matam! Morte ao capitalismo e ao racismo! Cadeia para os policiais assassinos!
• Justiça para George Floyd! Justiça para Amaud Arbery! Justiça para Breonna Taylor!
• Lutar é um direito! Liberdade já para todos os presos políticos!
• Cortar os orçamentos policiais e usar os recursos para atender às necessidades do povo – moradia, salário-desemprego, educação, saúde, transporte público!

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